Este projeto fotográfico sucede a um contacto prolongado com Alvaredo, consequência de uma relação cultivada com tempo e atenção junto destas pessoas. O trabalho encontra o seu momento fulcral durante um fim de semana de celebração: a festa de São João.
Depois de publicar o livro Labuta - trabalho realizado em residência - a vontade de voltar a Alvaredo foi imperativa. Junto com o Daniel Maciel, acompanhámos esta festividade.
Alvaredo é um lugar exótico para a fotografia, um exotismo que transparece verdade e paixão por um território. Aqui, os seus habitantes trabalham dia e noite. É visível uma árdua vontade de ocupar e dar a conhecer, de construir e gravar nas suas gentes um movimento cultural.
Um vaguear pelas estradas, terreiros e caminhos, pelas vidas que preenchem um espaço de tempo com sentido / consomem tempo com um sentido. Tudo é feito em prol do outro, da vontade de reunião, num calor vivo e originário de uma memória que procura ser constantemente ativada. Esta festa é um espelho desta procura, da relação íntima e familiar que os habitantes constroem entre si.
Um dos camiões que animaria uma das noites sofre uma avaria e pernoita no acesso ao recinto. Para muitos isto seria uma derrota, em Alvaredo um desafio. Este simples acontecimento mostrou uma forma colaborativa de fazer acontecer, onde a vontade ultrapassa todas as barreiras da falha ou da desistência.
Alvaredo não é apenas uma freguesia, é um lugar que vive das pessoas que, com os seus gestos quotidianos, fazem dele uma celebração, um território de trabalho e afetos.